Peixes do Rio Aquidauana: 5 Espécies, Pesca e Regras


O Rio Aquidauana, verdadeiro coração aquático da região do Paxixi, sustenta uma fauna rica e uma cultura que mescla pesca esportiva de alto nível e sustento ribeirinho.
Neste guia, exploramos cinco espécies emblemáticas de peixes: dourado, pintado, pacu, piraputanga e jaú. Vamos conhecer a biologia, importância ecológica, regras legais de pesca e curiosidades que fazem cada uma delas tão especial.
🐟 1. Dourado (Salminus brasiliensis): o “rei do rio”
Considerado o escoteiro dos rios, o dourado é o peixe mais emblemático da pesca esportiva brasileira.
Biologia e comportamento
O dourado pertence ao gênero Salminus e é conhecido por sua coloração dourada intensa, com listras negras laterais. Atinge até 1,3 m e 25 kg, e é um predador voraz que se alimenta de peixes menores, inclusive lambaris e curimbatás. Sua defesa ao ser fisgado e ataques espetaculares fora d’água o tornam lendário entre pescadores.

Importância ecológica e turística
Por seu poder de briga e beleza, o dourado é símbolo máximo da pesca esportiva no Pantanal brasileiro. É chamado de “o salmão sul-americano” por seu papel e desafio similar aos alvos do hemisfério norte.
Legislação e proibição atual
Em MS, a pesca do dourado está proibida até 31 de março de 2027, conforme a Lei 6.390/2024 que estendeu a lei original 5.321/2019. Permitido apenas o pesque e solte, o consumo por ribeirinhos e pescadores profissionais, e exemplares criados em cativeiro . Estudos técnicos serão apresentados até fevereiro de 2027 para definir futuros prazos.
- Tamanho impressionante: pode ultrapassar 1 metro e pesar até 25 kg .
- Força lendária: conhecido por quebrar linhas, saltar com potência e proporcionar emoção pura.
- Visual vibrante: corpo dourado com listras pretas nas laterais — é considerado um espetáculo aquático.
Durante a piracema (outubro a março), qualquer pesca é proibida.
🐠 2. Pintado (Pseudoplatystoma corruscans): o gigante listrado
Características físicas
O pintado, da família Pimelodidae, chega a 1,8 m e até 86 kg; possui pele acinzentada com manchas escuras e longos barbilhões.
Também conhecido como surubim, essa espécie também pode ser conhecida como surubim-caparari, brutelo, loango ou moleque, dependendo da região.
O pintado é um peixe de água doce da família Pimelodidae, conhecido por sua cabeça grande e achatada, corpo alongado e manchas arredondadas pretas. Alimenta-se de peixes menores como tuviras, curimbatás e minhocuçus, sendo ativo principalmente à noite.

Pesca e gastronomia
Muito valorizado na culinária regional, popular em pratos como mujica de pintado— um caldo de mandioca com o peixe cozido e cebolinha. Na pesca esportiva, é cobiçado por sua força e carne macia.
Presente em roteiros de pesca esportiva com alto índice de captura — sua carne firme é estrela em pratos típicos pantaneiros.
Ele é um importante recurso pesqueiro parara a Região do Paxixi, mas sua população tem enfrentado desafios devido à pesca predatória e outras ameaças, levando o governo de MS a questionar sua inclusão na lista de espécies ameaçadas.
🐡 3. Pacu (Piaractus mesopotamicus): o vegetariano delicioso
Biologia e hábitos
O pacu agrupa várias espécies da subfamília Myleinae, comuns nas bacias dos rios Paraguai e Paraná. Atinge até 8 kg, em raros casos 25 kg. Alimenta-se principalmente de frutos como tucum, jenipapo e até caranguejos de água doce.

Pesca esportiva e comunitária
É alvo popular em pesque-pague e pesca de lazer com isca natural. Também é fundamental para o abastecimento local e subsistência de famílias ribeirinhas — sua carne leve e pouco espinhosa agrada a muitos
Apesar do porte menor, é um símbolo da pesca comunitária.
- Média: até 8 kg e 50 cm, com casos extremos de 25 kg .
- Alimentação: fruto de árvores à beira do rio e detritos vegetais — ara aquático.
- Presença local: comum em cardumes visitados para subsistência e lazer, além de pesca esportiva com isca natural .
🐟 4. Piraputanga (Brycon hilarii): o peixe avermelhado do cerrado
Dados e ecologia
Peixe de cor avermelhada, com cerca de 50 cm e até 3 kg. Vive em cardumes, nutrindo-se de frutos, sementes e ocasionalmente peixe pequeno ou inseto. É sensível à poluição, indicador de rios bem preservados.

Gastronomia e status ecológico
É considerada uma das carnes mais saborosas da região. Presente em poucos rios preservados, sua presença indica ambientes limpos e ecologicamente íntegros .
Convivência com a pesca
Na região do Paxixi, piraputanga é capturada por pescadores locais e valorizada em pratos regionais, embora seja cada vez mais rara em rios impactados por agrotóxicos ou desmatamento.
O “peixe da fruta”:
- Nome tupi: “pirá” (peixe) + “pyta” (vermelho).
- Tamanho: cerca de 50 cm e quase 3 kg
- Cartão-postal culinário: carne macia, vermelha quando cozida — muito apreciada em restaurantes locais.
- Indicador ambiental: presença em águas limpas; sinal de rio conservado .
🐊 5. Jaú (Paulicea lutkeni): o titã subaquático
Descrição natural
O jaú (Zungaro jahu) é um peixe de corpo grosso e curto, cabeça grande e achatada, e boca larga e terminal. Ele se alimenta principalmente de outros peixes, sendo encontrado em poços mais profundos, locais com pedras e próximos a cachoeiras em rios da região amazônica e do Pantanal.
A pesca do jaú no Pantanal é uma atividade popular, com pescadores utilizando equipamentos específicos para lidar com peixes de grande porte.
Peixe siluriforme, pode alcançar 1,5 m e 120 kg, com corpo robusto e cabeça achatada, coloração verde-parda no dorso e ventre branco, avaliando a maturidade pela presença de manchas.

Comportamento e pesca
É um predador de fundo, alimentando-se de outros peixes e detritos. A pesca esportiva do jaú requer técnica, paciência e respeito à natureza – é um troféu para poucos que fisgam e soltam exemplares grandes
Um colosso aquático:
- Peso recorde: até 120 kg e 2 m de comprimento .
- Habitat: águas profundas, em remansos e canais largos do Aquidauana.
- Pesca esportiva: testar força, paciência e habilidade — um troféu para quem captura e solta .
🎣 Pesca esportiva e ribeirinha: convivência sustentável
O Rio Aquidauana abriga uma tradição viva de pesca — com forte apelo turístico e sustento familiar.
Pesca esportiva no Aquidauana
- Exige alvará do IMASUL, observa períodos de piracema e defeso.
- Praticada com guias locais, barcos e estruturas como pousadas dedicadas.
- Temporada: março a outubro (exceto piracema) .
- Peixes-alvo: dourado (pesque e solte), pintado, jaú, pacu, piraputanga.
- Infraestrutura: barcos, piloteiros e pousadas equipadas, como Pousada Pequi e Morro do Azeite.
Pesca de subsistência ou ribeirinha:
- Os ribeirinhos mantêm pesca de pacu, piraputanga e pintado para consumo próprio.
- Renda suplementar para famílias, consumo local de pacu, piraputanga e dourado (dentro do permitido).
- Atividade regulamentada, discreta e com preocupação conservacionista.

Impacto socioambiental
- A pesca responsável e regulamentada contribui para preservação dos cardumes e equilíbrio ecológico.
- Comunidades ribeirinhas mantêm tradição e geração de renda com menor impacto ambiental.
📊 Tabela informativa: resumo das espécies
| Espécie | Tamanho Médio / Máximo | Alimentação | Pesca Esportiva | Consumo Ribeirinho |
|---|---|---|---|---|
| Dourado | até 1,3 m / 25 kg | Carnívoro | Pesque e solte | Permitido consumo local |
| Pintado | até 1,8 m / 86 kg | Carnívoro | Esportiva | Consumo local |
| Pacu | até 50 cm / 8 kg (max 25 kg) | Frugívoro / Onívoro | Recreativa e subsistência | Consumo local, frequente |
| Piraputanga | até 50 cm / 3 kg | Frugívora / Onívora | Esportiva leve | Consumido local |
| Jaú | até 1,5 m / 120 kg | Piscívoro | Esportiva especializada | Consumo raro |
🌊 Por que valorizar o Rio Aquidauana?
- É o principal rio da região do Paxixi, conectando gente, cultura e natureza.
- Abriga ecossistemas diversos, com biodiversidade vibrante, com mais de 250 espécies , desde áreas de remanso a corredeiras, essenciais para a reprodução.
- Equilíbrio ecológico e cultural, com pesca sustentável e conservação local: alterna pesca esportiva profissional e subsistência tradicional com respeito à biodiversidade.
- Rica em histórias do Pantanal: famílias que vivem à beira d’água, festas culturais e pratos regionais à base de piraputanga ou pintado.
- Potencial turístico crescente, com infraestrutura cada vez melhor e experiências autênticas.
- Conexão com a vida ribeirinha, proporcionando vivência direta com a cultura Pantanal-Paxixi.

🧭 Tabela de Regulamentação
| Espécie | Proibição de pesca | Exceções permitidas |
|---|---|---|
| Dourado | Até 31 mar 2027 | Pesque e solte, consumo por ribeirinhos/profissionais, cativeiro |
| Pintado | Não proibido | Restrição apenas na piracema |
| Pacu | Livre (exceto piracema) | Consumido localmente e esportivamente |
| Piraputanga | Livre (exceto piracema) | Consumo local com cuidado |
| Jaú | Livre (exceto piracema) | Prática comum no esporte de captura e soltura |
🎣 Quando ir?
- Março a abril: início da pesca esportiva pós-piracema.
- Junho e julho: águas baixas facilitam captura de jaú e pintado.
- Agosto e setembro: melhor para pacu de batida no fundo.
✅ Entre tradição e preservação
O Rio Aquidauana é mais do que água — é vida, cultura e equilíbrio. Seus peixes carregam histórias antigas e novos desafios. O dourado, proibido até 2027 por decreto legal, simboliza esperança de repovoamento; o pintado e jaú são troféus ambicionados; pacu e piraputanga mantém tradição familiar e sabor regional.
Este é um convite para conhecer o Paxixi com respeito ao meio ambiente — pescando de forma consciente, apoiando o turismo sustentável e valorizando a cultura local.
Curtiu essa leitura?
👉 Comente sua experiência de pesca ou qual peixe você sonha em fisgar no Paxixi!
Planeje sua base de viagem com o guia de hospedagens em Aquidauana e no Paxixi.
Depois do rio, descubra onde comer peixe em Aquidauana e celebrar os sabores locais.
Para ampliar a aventura, inclua trilhas e mirantes no roteiro de Camisão.
👉 Compartilhe este post e ajude mais pessoas a descobrirem a riqueza do Rio Aquidauana.

