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Aquidauana em Alta: Obras, Qualificação e Novos Atrativos Transformam o Turismo Regional

Aquidauana em Alta: Obras, Qualificação e Novos Atrativos Transformam o Turismo Regional
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Mazziotti21/04/20266 min de leitura
Aquidauana em Alta: Obras, Qualificação e Novos Atrativos Transformam o Turismo Regional
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Aquidauana vive um dos momentos mais promissores de sua história recente. Obras de infraestrutura, investimentos públicos, qualificação profissional e uma mudança silenciosa no perfil econômico da cidade estão consolidando o município como destino estratégico no cenário turístico de Mato Grosso do Sul. O que era potencial começa a virar realidade com números, projetos e obras concretas.


De Polo Pecuarista a Portal do Pantanal

Por décadas, Aquidauana foi sinônimo de pecuária. A atividade chegou a representar entre 35% e 40% do PIB municipal. Esse quadro começou a mudar de forma acelerada nos últimos cinco anos, e hoje o turismo já responde por entre 10% e 15% da economia local, enquanto a pecuária recuou para cerca de 28%.

A comparação que circula entre gestores e empresários locais diz tudo: Aquidauana virou o “Búzios da população sul-mato-grossense.” A cidade fica a apenas 120 km de Campo Grande, que responde por cerca de 80% do fluxo turístico local. Essa proximidade é um dos maiores ativos do destino e ainda está sendo explorada pela metade.

A expectativa é que o turismo alcance 25% do PIB municipal até 2028, atraindo investimentos, estimulando o empreendedorismo e reduzindo a dependência histórica da máquina pública. Não é projeção otimista; é tendência com infraestrutura sendo construída agora para sustentar esse crescimento.


Empregos, Renda e Cadeia Produtiva

O crescimento do turismo não é só econômico no papel. Ele aparece no mercado de trabalho. O setor já gera mais de 2.600 empregos formais no município, concentrados em alimentação e alojamento. Considerando informais e efeitos indiretos, a cadeia do turismo sustenta cerca de 2.500 postos de trabalho no total.

Isso significa que quando um viajante para em Camisão para almoçar, pernoita numa pousada na Estrada Parque ou contrata um guia para subir o Morro do Paxixi, está colocando renda em circulação numa cadeia que vai do dono do restaurante ao trabalhador da manutenção da trilha. Turismo bem estruturado não gera renda só para quem tem hotel. Distribui ao longo de toda a região.


Infraestrutura: O Asfalto que Abriu o Caminho

Nenhuma transformação turística acontece sem acesso. Em Aquidauana, o ponto de virada foi a pavimentação da MS-450. O Governo do Estado investiu R$ 21,1 milhões na pavimentação de 18,5 km da Estrada Parque no trecho entre Palmeiras, Piraputanga e Camisão, incluindo drenagem e uma ponte de concreto sobre o Córrego das Antas.

A obra abriu uma região até então de difícil acesso para pescadores, aventureiros e amantes de natureza.

Além disso, o município está na zona de influência da Rota Bioceânica, corredor internacional que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Uma das conexões desse corredor encurta o trajeto entre a região e Bonito em cerca de 96 quilômetros. Isso coloca Aquidauana no mapa de uma rota de turismo com escala continental.


Ciclovia na Estrada Parque: Um Novo Produto Turístico

Em abril de 2026, o Governo do Estado homologou a licitação para elaboração do projeto executivo de melhorias na MS-450. O contrato prevê implantação de ciclovia, passarelas, mirantes, pontos de observação e sinalização turística ao longo de aproximadamente 33,2 quilômetros, conectando o CAT de Palmeiras ao polo da UEMS em Aquidauana, passando por Dois Irmãos do Buriti.

Quando ficar pronto, esse corredor vai além da mobilidade. Ele cria um produto turístico de natureza com estrutura: ciclistas, caminhantes, famílias e viajantes terão mirantes e pontos de parada seguros para contemplar uma das paisagens mais singulares de Mato Grosso do Sul. Esse tipo de infraestrutura é o que transforma visita única em roteiro repetível.


Qualificação: O Turismo Começa no Atendimento

A Prefeitura de Aquidauana anunciou em abril de 2026 investimento direto na qualificação do atendimento ao turista, tratando o setor como vetor de desenvolvimento econômico e social.

A medida pode parecer simples, mas é estruturante. Em turismo, atendimento ruim destrói qualquer atrativo bonito. Um visitante mal atendido vai embora frustrado, não recomenda e não volta. Um visitante bem atendido passa mais tempo no destino, gasta mais e compartilha a experiência. Qualificação profissional é, na prática, marketing de longo prazo.


Camisão e o Pantanal Tech: Destino Preparado para Grandes Eventos

Aquidauana se prepara para receber visitantes do Pantanal Tech, evento que combina tecnologia, inovação e agronegócio pantaneiro. Para isso, a prefeitura realizou reunião em Camisão com foco em melhorias de sinalização, segurança e embelezamento dos atrativos da Estrada Parque Piraputanga.

Camisão vem ganhando protagonismo como área estratégica do turismo regional. Sua posição ao longo da Estrada Parque, combinada com empreendimentos de natureza, gastronomia e hospitalidade genuína, coloca o distrito no mapa de qualquer roteiro pela região.

Destinos que entram no circuito de grandes eventos crescem de forma consistente, porque os visitantes que chegam por um evento costumam descobrir o território e retornar por conta própria.


Morro do Paxixi: Do Símbolo ao Produto Organizado

O Morro do Paxixi é o ativo paisagístico mais reconhecido de Aquidauana. A silhueta do monumento aparece em fotos, guias de viagem e nas memórias de quem passou pela região. Mas ter um atrativo famoso não basta. É preciso organizar a visitação.

A realização de oficina para estruturação da visitação ao Paxixi mostra maturidade de gestão. O objetivo é planejar o fluxo de visitantes, garantir segurança nas trilhas, preservar o espaço e criar uma experiência que faça jus ao que o lugar representa. Com organização adequada, o Paxixi tem potencial para se tornar um dos destinos de trilha mais reconhecidos do estado.


Uma Cidade com História, Cultura e Biodiversidade

Aquidauana não é só natureza. A cidade carrega arquitetura colonial no centro histórico e as ruínas de Santiago de Xerez, uma das primeiras cidades fundadas nas Américas, erguida em 1600 e destruída em 1632, hoje objeto de prospecções arqueológicas. A população indígena Terena soma mais de 12 mil pessoas distribuídas em nove aldeias, e a Feirinha Indígena ao lado da Estação Ferroviária conecta visitante e cultura de forma direta e genuína.

O Pantanal Express leva turistas a bordo do trem histórico para conhecer as belezas do Pantanal sul-mato-grossense, numa experiência que combina nostalgia, paisagem e imersão regional. Esse conjunto de ofertas mostra que Aquidauana não é destino de um único ponto. É um território com camadas para descobrir.


O Que Isso Significa Para Quem Visita

Mais opções de roteiro. Infraestrutura em expansão. Atendimento mais preparado. Destinos como Paxixi, Camisão, Piraputanga e o centro histórico ganham organização e acesso sem perder o que os torna únicos: a escala humana, a paisagem autêntica e a proximidade com o Pantanal.

Para quem planeja visitar a região, o momento é favorável. A cidade está investindo na experiência antes mesmo do turista chegar. E para quem já conhece, vale revisitar. Aquidauana está mudando.

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Fábio Mazziotti

Curador editorial do Roteiros do Paxixi, projeto dedicado à leitura do território e à valorização das paisagens, da cultura e das experiências turísticas da região de Aquidauana, Camisão, Piraputanga, Morro do Paxixi e Serra de Maracaju, no Pantanal Sul.

Curadoria editorial sobre o Território do Paxixi. Ver todos os textos de Mazziotti

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